Acusado de assassinar a avó também mataria mãe, afirma polícia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 26 de novembro de 2002 as 01:21, por: cdb

O estudante Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, 22, preso sob acusação de assassinar a avó e a empregada da família a facadas, disse à polícia que também mataria sua mãe, se ela estivesse em casa na madrugada deste domingo. O crime ocorreu no Planalto Paulista, bairro de classe média alta da zona sul de São Paulo.

A mãe do acusado tinha viajado com o namorado e não dormiu em casa. Foi ela quem encontrou os corpos ontem.

Segundo a polícia, Napolitano consumiu doses “exageradas” de cocaína e perdeu o controle.

“Ele falou com a maior naturalidade que ela [sua mãe] também teria ido”, disse Luiz Antônio Pinheiro, delegado do GOE (Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil).

O delegado seccional Olavo Reino Francisco suspeita que Vera Kuhn de Macedo Pereira, 73, tenha visto o neto usando drogas. Napolitano confessou ontem ser autor das duas mortes que, segundo a polícia, foram motivadas pelo uso “exagerado” de cocaína.

O advogado Eduardo Cesar Leite, que defende o acusado, admite que o rapaz “tem alguns problemas”, ainda está “completamente perturbado” e precisa de tratamento.

Napolitano abandonou o curso de direito há aproximadamente dois meses. Ele abandonou o curso de direito a aproximadamente dois meses. Segundo a polícia, o acusado é usuário de drogas há aproximadamente seis anos e já esteve internado para tratamento.

Atualmente, tomava antidepressivo e ansiolítico.

Como foi

Na madrugada deste domingo, Napolitano esteve na favela da rua Mauro, Jabaquara, também zona sul, para trocar um aparelho de som por dez papelotes de cocaína (cada papelote tem um grama da droga).

Retornou para casa e saiu novamente, levando seu carro, um Gol, para trocar por outros 50 papelotes de cocaína na mesma favela.

De acordo com a polícia, após adquirir a droga, ele voltou para casa e matou a avó com uma facada na garganta, por volta da 1h30. Depois, virou o corpo e deu outros golpes. Uma espada com marcas de sangue foi encontrada ao lado da cama da avó, mas a polícia afirma que apenas a faca foi utilizada no crime. Vera se locomovia apenas com ajuda de uma cadeira de rodas.

O estudante permaneceu na casa e, por volta das 7h, esfaqueou também a empregada, que entrava para servir o café-da-manhã.

Segundo a polícia, Cleide Ferreira da Silva, 20, que estava há quatro meses no emprego, foi morta na cozinha, e seu corpo, arrastado até um banheiro da casa.

Por volta das 10h, o rapaz voltou à favela e tentou trocar outro carro da família, um Vectra, mas o traficante não teria concordado. Segundo o delegado Francisco, o alto consumo de cocaína, que deixou Napolitano cambaleante, teria motivado o traficante a não concordar com a nova troca.

Novamente em sua residência, Napolitano recebeu um telefonema de sua mãe, Vera de Macedo Pereira, com quem conversou, mas não falou do crime. Foi Vera quem encontrou os dois corpos, ao chegar de uma viagem.

Adriano Campelo da Silva, 25, acusado de ser o fornecedor das drogas também foi preso e responderá por tráfico. Napolitano foi autuado por duplo homicídio qualificado e tráfico (por causa da grande quantidade de cocaína que havia adquirido).

Ainda em crise de abstinência, Napolitano tem chorado muito na delegacia.