Acre custou ao Brasil mais do que um cavalo

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Publicado sexta-feira, 12 de maio de 2006 as 13:56, por: cdb

“Tudo foi resolvido de forma pacífica dentro dos padrões da diplomacia internacional. A polêmica é jogo de cena do presidente da Bolívia dentro desse contexto de exacerbação dos discursos nacionalistas que estamos assistindo no mundo inteiro”. A afirmação foi feita nesta sexta-feira pela professora e historiadora da Casa de Rui Barbosa, Isabel Lustosa, ao comentar a declaração do presidente Evo Morales, de que o estado do Acre foi “trocado por um cavalo”.

Em entrevista nesta quinta-feira, na 4ª Cimeira União Européia – América Latina e Caribe, em Viena, na Áustria, Morales afirmou que o Brasil comprou o Acre da Bolívia, no inicio do século 20.

– O Acre, trocaram por um cavalo – afirmou Morales.

Isabel lembrou que a região que hoje corresponde ao Estado do Acre era originalmente da Bolívia e foi ocupada por seringueiros principalmente vindos do Nordeste do Brasil, atraídos pela indústria da borracha no Século 19. Essa população teria se rebelado quando o governo boliviano arrendou a área para uma companhia anglo-americana explorar o produto. A professora destacou que a luta fez com que o governo brasileiro tomasse a decisão por um acordo. O Barão de Rio Branco, que era o ministro das Relações Exteriores, entrou em cena para negociar o Tratado de Petrópolis, que tornava o Acre uma área brasileira. Para isso, o governo do Brasil pagou 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia e 100 mil libras esterlinas à empresa anglo-americana que arrendava a área.

Isabel Lustosa reafirmou que a questão está resolvida desde o início do Século 20 e disse que “o objetivo desse discurso (de Evo Morales) não é a retomada do Acre, mas a exacerbação de um sentimento nacionalista de um país pobre”. Segundo a historiadora esse tipo de posição “tem a ver com a atitude agressiva que os Estados Unidos tomaram no mundo”.

– A maneira dura e radical de resolver os conflitos (da política norte-americana), rompendo com pactos estabelecidos desde a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que gerou a emergência de figuras como Chávez, que apostam no nacionalismo, no amor próprio do pequeno que vai lutar até a morte em defesa da pátria – disse.