Acordo no Senado e divisão na Câmara

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Publicado segunda-feira, 17 de janeiro de 2005 as 19:45, por: cdb

Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) reúne-se, nesta terça-feira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a participação do PMDB no governo a partir da reforma ministerial. A informação é da assessoria de comunicação da presidência do Senado que, no entanto, não divulgou o horário do encontro. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL) – próximo presidente da Casa – também participará da reunião. O encontro foi acertado na semana passada, quando Sarney comunicou ao presidente Lula o acordo em torno do nome de Calheiros para sucedê-lo no cargo.

Na Câmara, porém, o ambiente não é de entendimento. A candidatura avulsa do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) à presidência da Câmara deverá mesmo ser lançada nesta quarta-feira. A informação foi dada pelo deputado João Leão (PL-BA), um dos articuladores do Movimento Câmara Forte, que se reúne em um almoço com Virgílio e outros deputados federais para para tratar do assunto, nesta terça-feira.

A reação do PT foi imediata:

– Não existe candidatura avulsa dentro do PT. A partir do momento que o Virgílio (Guimarães) oficialize sua candidatura será tratado como adversário, como ex-petista – afirmou Paulo Pimenta (PT-RS).

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), enviou carta a todos os deputados pedindo votos para o candidato oficial do partido, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). “Meu amigo, peço seu voto para que possamos ter o Luiz Eduardo Greenhalgh na liderança desta Casa à qual dedicamos nossas vidas. Essa instituição nos é cara. Empenhamos, aqui, as nossas biografias. Greenhalgh merece isso. Tanto ele quanto eu sentimo-nos honrados com a sua participação nesse processo de construção de uma candidatura ampla e consensual. Sob a liderança de Greenhalgh, a Câmara estará em boas mãos”, diz João Paulo na carta aos deputados.

O próprio Greenhalgh já trabalha com a possibilidade de disputar a presidência da Câmara com seu colega de partido. “A campanha do Virgílio Guimarães a ele pertence. Esse assunto foi definido pela bancada do PT. Vou disputar, minha candidatura é do PT, e vou até o fim”, afirmou Greenhalgh, antes de uma reunião com os coordenadores de campanha.

O candidato oficial do partido está satisfeito com os primeiros resultados das viagens aos estados, que começaram na semana passada. Greenhalgh disse que sua candidatura vem sendo “muito bem aceita” nas conversas com os deputados federais. Nesta linha, o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), considera que os parlamentares respeitarão a tradição de que o maior partido tem o direito de indicar o nome do presidente da Câmara.

Luizinho lembrou que “a Casa nunca negou o critério da proporcionalidade” no processo de composição da Mesa Diretora. Sobre a possibilidade da candidatura avulsa de Virgílio Guimarães, o líder lembrou que ele renunciou à candidatura na disputa interna do partido. “Dentro do PT nunca defendemos candidaturas avulsas”, ressaltou Luizinho.

Questionado se o candidato oficial não teria que barganhar muito com os deputados para garantir sua vitória, o líder petista ressaltou que “para se proteger de pedidos escusos, o melhor caminho é seguir as regras”.

Deputados estaduais e reitores de 14 instituições de ensino superior de Minas Gerais também se movimentaram hoje em apoio ao lançamento da candidatura avulsa de Virgílio Guimarães. Eles entregaram manifestos de apoio à candidatura de Virgílio ao vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar. Filiado ao PL, Alencar busca apoio dos companheiros de partido para o candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh.