Acordo com FMI ainda é incerto

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Publicado quinta-feira, 16 de outubro de 2003 as 11:45, por: cdb

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou nesta quinta-feira que ainda não foi definido nem se o Brasil renovará o acordo com o FMI nem o valor. “Não definimos valor mas estamos conversando com o Fundo. Temos uma visita do FMI este mês, em Brasília, e uma equipe nossa está lá (Washington). Estamos analisando se devemos ou não firmar o acordo, o custo deste seguro, se traz mais benefícios ou não”, disse o ministro, referindo-se ao fato de que se houver um acordo, seria um acordo preventivo para dar um seguro ao Brasil.

De acordo com Palocci, todos os indicadores econômicos indicam que “estamos crescendo de maneira consistente e, por isso, o Brasil não quer dinheiro novo. O que estamos analisando é se é adequado para o País fazer essa transição da economia com um acordo”, disse. Ele explicou que poderia ser um acordo preventivo no qual o dinheiro ficaria à disposição “para que se possa tomar o recurso”.

Perguntado sobre o tempo desse acordo preventivo ou de seguro, Palocci disse que “se fizermos um acordo será no máximo de um ano”. Segundo ele, não teria sentido fazer um acordo mais prolongado num momento em que o País está entrando num processo de crescimento. O ministro também revelou que o País propôs ao FMI a discussão sobre a qualidade do superávit.

“Queremos sair da discussão simples do tamanho do superávit para discutir a qualidade. E isso é bom para o Brasil e para o FMI porque é preciso que os acordos possam ganhar qualidade. Não achamos que devam prevalecer modelos de acordos iguais para países diferentes”.

Nessa discussão de qualidade de superávit o ministro citou três pontos. Até o ano passado, ressaltou ele, o ajuste fiscal está concentrado na ampliação progressiva de tributos dando pouca prioridade à redução de despesas. “Este ano, não houve aumento da carga tributária e fizemos um forte ajuste fiscal. É um novo passo para não constranger o crescimento econômico”, disse Palocci.

O segundo ponto, afirmou o ministro, é estabelecer um superávit anticíclico, pelo qual o País poderá economizar mais quando está crescendo e investir mais em políticas sociais quando está em depressão. E o terceiro, identificar e selecionar investimentos com retorno social econômico, tarefa que deve ser colocada em prática, no próximo ano, segundo o ministro.