ACM e Bornhausen discutem na CCJ do Senado

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 18 de novembro de 2003 as 22:16, por: cdb

Numa sessão vazia da Comissão de Constituição e Justiça, onde a briga parecia ser entre governo e oposição para aprovação do relatório da reforma da Previdência, dois senadores do PFL – Antonio Carlos Magalhães (BA) e Jorge Bornhausen (SC) – protagonizaram uma inusitada briga, sem que os poucos presentes pudessem entender o que se passava.

O motivo foi a divulgação pelo site do PFL de entrevista do líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), cujo título era: “ACM Neto ainda tem muito o que aprender”. Aleluia e ACM Neto são pré-candidatos a prefeito de Salvador.

Em defesa do neto, deputado federal em primeiro mandato, o senador Antonio Carlos Magalhães foi tomar satisfações com o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen.

– O PFL é um partido que trata mal quem tem voto e protege aqueles seus cupinchas em todos os estados, sem ver o valor de cada um – disse ACM a Bornhausen, em voz baixa, acrescentando que o site do PFL “é uma indignidade” ao divulgar notícia negativa sobre o deputado ACM Neto.

– Isso foi iniciativa do pessoal da imprensa – retrucou Bornhausen.

– Então, demita o pessoal da imprensa – replicou ACM.

Bornhausen, ao confirmar a altercação com Antonio Carlos na CCJ, disse ter recebido um telefonema do senador César Borges (BA), na tarde de segunda-feira, reclamando da valorização dada pelo site do PFL à entrevista de Aleluia. Diante da queixa, ele mandara, imediatamente, que a notícia fosse retirada da notícia do ar.

Em seguida, já de dedo em riste, o senador Antonio Carlos reclamou do prestígio que é dado pelo partido ao deputado José Carlos Aleluia. E alterando um pouco a voz disse que o líder da bancada na Câmara, “não merece a confiança que o partido está dando a ele”.

Segundo ACM, Bornhausen pediu que baixasse o dedo para que os presentes à sessão não pensassem que eles estavam brigando.

– Eu gostaria, mesmo, é de dar um sopapo – disse ACM, anunciando, ali mesmo, que apresentaria um requerimento à direção do PFL pedindo a prestação de contas do partido para sua verificação. Bornhausen disse, mais tarde, que as contas do PFL estão à disposição de todos os filiados. E fez questão de dizer que releva a altercação com o senador Antonio Carlos Magalhães.

– Não dou a menor importância a esse fato. O senador Antonio Carlos tem problemas que não são meus – disse, no começo da noite.

Antonio Carlos, de sua parte, levou o assunto adiante: encaminhou o requerimento de informações ao PFL, pedindo para conhecer as despesas do partido, e divulgou em seu site de senador uma declaração sobre a disputa eleitoral em Salvador.

– Sobre o PFL, só posso afirmar que o doutor José Carlos Aleluia não será candidato a prefeito de Salvador, levando em conta os poucos votos que tem na capital e também outros fatos que não valem ser relembrados.