Abu Mazen exige que Israel cumpra sua parte no Mapa do Caminho

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 25 de janeiro de 2005 as 17:12, por: cdb

O presidente palestino, Mahmoud Abbas (Abu Mazen), pediu hoje, terça-feira, a Israel que cumpra os compromissos estabelecidos no “Mapa do Caminho” depois de ter acalmado as facções armadas palestinas.

Abu Mazen retornou hoje à cidade cisjordaniana de Ramala depois de seis dias de intensas negociações em Gaza com todas as facções armadas palestinas, em que conseguiu um cessar-fogo.

– Estou farto das promessas internacionais. Chegou o momento de trabalho real –  disse Abu Mazen ao pedir que Israel cumpra os compromissos estabelecidos no “Mapa do Caminho”, plano de paz para o Oriente Médio promovido pelo Quarteto de Madri (Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU).

Abu Mazen disse ontem à noite em Gaza que o diálogo com os grupos armados não é nada inovador, pois “durante dois anos existiram conversações tanto em Gaza como na Cisjordânia, mas o nível das discussões atuais foi o mais alto e foram desfeitos muitos mal -entendidos. Haverá um acordo em breve”,

– Depois disto – prosseguiu -, a bola está com os israelenses. Estamos trabalhando conforme o Mapa do Caminho e, por isso, os israelenses devem cumprir sua parte.

– A parte israelense – segundo Abu Mazen – envolve assuntos tão delicados como os refugiados, os prisioneiros e a retirada das forças de ocupação das cidades, além de outros pontos do Mapa do Caminho.

Abu Mazen disse esperar que EUA e União Européia cumpram também com seus compromissos para estabelecer o Mapa do Caminho e que o maior obstáculo do exército israelense é sua decisão de manter o posto de controle militar de Abu Holi, no centro da Faixa de Gaza, quando a polícia palestina está preparada para manter a ordem.

Neste sentido, o presidente manifestou que “não estamos pedindo nada além do Mapa do Caminho. Cada um tem de assumir seriamente suas responsabilidades e não jogar com as palavras”.

Momentos antes de entrar numa reunião com Abu Mazen, o primeiro- ministro palestino, Ahmed Qorei (Abu Alá) expressou seu desgosto com Israel.

– Os palestinos estão fazendo o máximo para conseguir o cessar -fogo e abrir caminho para negociações sérias, mas as notícias que chegam de Israel são muito ruins –  afirmou Qorei.

– Israel – explicou – deveria adotar medidas de boa vontade em vez de fechar Ariel (assentamento judaico no norte da Cisjordânia) com o muro de separação e confiscar os terrenos palestinos em Jerusalém.

Qorei acrescentou que “Israel prossegue em sua política de colonização com os assentamentos, segue construindo o muro do apartheid em Ariel e confiscando terras em Jerusalém por meio da Lei de Propriedade dos Ausentes”.

Israel retomou ontem, segunda-feira, os trabalhos para levantar o muro de separação na região de Salfit, ao redor do assentamento judaico de Ariel, uma das medidas mais polêmicas porque a construção invade 20 quilômetros do território palestino da Cisjordânia.

Além disso, Abu Alá criticou a decisão do governo israelense de aplicar a Lei de Propriedade dos Ausentes em Jerusalém, o que afetará os bens de milhares de palestinos que se exilaram e abandonaram suas propriedades em 1948, quando o Estado de Israel foi fundado.

– Israel deve responder à lei do processo de paz e não aos desejos do projeto israelense que levam ao confisco de terrenos palestinos – acrescentou Abu Alá.

As autoridades palestinas esperam a chegada do assessor do Departamento americano de Estado, William Burns, “para que conheça em primeira mão a realidade no local e redobre seus esforços para que o plano de paz seja cumprido”.

Burns se reunirá na próxima quinta-feira em Ramala com os dirigentes palestinos, depois da reunião de amanhã, quarta-feira, com as autoridades israelenses.