Absolvido acusado de matar missionário espanhol

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Publicado quinta-feira, 9 de novembro de 2006 as 11:04, por: cdb

O júri da Justiça Federal de Mato Grosso absolveu, por cinco votos a dois, o administrador de fazendas José Vicente da Silva, 53 anos, apontado como um dos que executaram o assassinato do missionário jesuíta Vicente Cañas, que ocorreu em abril de 1987, dentro de uma área indígena ao norte de Mato Grosso.

Cañas atuou intensamente em defesa dos índios Enawenê-Nawê e no processo de reconhecimento e demarcação do território tradicional da etnia. O trabalho enfrentava oposição dos fazendeiros da região de Juína (município a 737 km de Cuiabá).

O réu, acusado por homicídio duplamente qualificado, disse ao juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara da Justiça Federal que ignorava a possível articulação de fazendeiros que teria levado ao assassinato do religioso.

O corpo do missionário foi encontrado 40 dias após a morte, dentro da reserva Salumã, em decomposição. O médico legista Joaquim Delfino Neto, única testemunha arrolada pela defesa de Vicente, disse que integrou uma equipe, convocada pelo então delegado, para realizar uma das perícias no cadáver exumado de Cañas.

O legista reforçou a tese de que as lesões eram decorrentes da mumificação do corpo e, portanto, não houve assassinato.

– Como podemos condenar alguém por homicídio, se não existem provas concretas contra o réu?, perguntou o advogado Osvaldo Lopes na parte final do julgamento.

De acordo com o Ministério Público, o missionário morreu a pauladas e a golpes de facas desferidos por dois homens que teriam sido contratados por Ronaldo Osmar, na época lotado em Juína. 

O procurador da República de Mato Grosso está convicto da participação de Vicente no crime, e afirmou que recorrerá ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.