Abertura do Fórum Social será repleta de festas

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Publicado terça-feira, 25 de janeiro de 2005 as 20:44, por: cdb

Do Ritual de Proteção ao Fogo Sagrado, a cargo dos pajés guaranis, caingangues e xoclengues, às 6 horas, ao show com artistas de cinco continentes, às 20 horas, o dia da abertura do 5.º Fórum Social Mundial (FSM), quarta-feira, será todo festivo, antecipando uma maratona de 2 mil debates e 400 atividades culturais prevista para se iniciar quinta-feira (27) e prosseguir até segunda-feira (31). No dia 1.º, a cerimônia de encerramento será novamente festiva.

O grande momento da abertura será, como sempre, o Desfile Pela Paz. A partir das 18 horas, milhares de pessoas, representando organizações não-governamentais (ONGs) de todo o mundo, exibem as lutas com trajes típicos, faixas e fantasias. O grupo australiano Snuff Puppets promete levar bonecos gigantes, com 4,5 metros de altura, à parada. O percurso começa no Largo Glênio Peres, no centro, e vai até o anfiteatro Pôr-do-Sol, à beira do Lago Guaíba. Lá, será a vez de artistas como o ministro da Cultura, Gilberto Gil, o haitiano Luck Mervil e o franco-espanhol Manu Chao, além dos grupos QBeta (Sicília), Ma’Afrika (Uganda), Rock Platino (Argentina) e La Phaze (França). Não há previsão de pronunciamentos em nenhuma das atividades do primeiro dia do evento.

Ao contrário das edições anteriores, quando foi realizado no campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, o Fórum deste ano ocupa espaços numa área de 400 hectares, à margem do Lago Guaíba, entre o centro da cidade e o Ginásio Gigantinho, na zona sul, batizado de Território Social Mundial. Para abrigar as atividades, foram construídas 295 tendas e 205 salas com 50, 100, 200, 600 e 1 mil lugares. Espalhados pelo território estão 700 computadores, mil pontos de acesso à internet, 30 cybercafés e 11 centrais de informação. Os organizadores esperam a presença de 120 mil participantes. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas até o início das atividades que tiverem vagas disponíveis. Até o fim da tarde de hoje, havia 78 mil inscritos.

O custo de R$ 14 milhões do Fórum será coberto por contribuições em dinheiro e serviços do governo estadual (R$ 1,8 milhão), prefeitura de Porto Alegre (R$ 2 milhões), empresas estatais (R$ 4,9 milhões), entidades de cooperação internacional (R$ 4,3 milhões) e inscrições (R$ 1 milhão). A prefeitura e o Sindicato dos Hoteleiros estimam que os visitantes deixarão R$ 134 milhões na cidade, um volume que cobre, pelos impostos, o investimento feito pelos governos.

A pretensão do FSM é deixar para a cidade a experiência da economia solidária que será adotada no Território Social Mundial. A prioridade será dada a fornecedores vinculados a empresas autogestionárias e a assentamentos da reforma agrária.

A tecnologia usada para fabricar os receptores de rádio da tradução e para construir algumas casas com materiais alternativos é aberta e pode ser copiada por qualquer interessado. Ao fim do evento, os organizadores acreditam que deixarão como retribuição à cidade o investimento de R$ 1 milhão em canalização, pontos de iluminação e drenagem nos Parques Harmonia e Marinha do Brasil.

A metodologia do evento também mudou. Em vez de grandes temas escolhidos pelos organizadores, todas as atividades foram inscritas por mais de 5.700 organizações de todo o mundo, sem interferência do Comitê Internacional. Os temas foram agrupados em 11 grupos, distribuídos na geografia do Território Social Mundial. Em cada setor, haverá um mural para que as organizações exponham, ao fim das atividades, quais as conclusões e propostas para o novo mundo que acreditam ser possível. Os eixos são: pensamento autônomo, reapropriação e socialização do conhecimento e das tecnologias; defendendo as diversidades; construindo as culturas de resistência dos povos; práticas contra-hegemônicas de comunicação; afirmando e defendendo os bens comuns da Terra e dos povos; alternativas democráticas contra a dominação neoliberal; paz e desmilitarização; rumo à construção democrát