Abbas condena ataque de militantes que matou 6 israelenses

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Publicado sexta-feira, 14 de janeiro de 2005 as 14:34, por: cdb

O líder palestino Mahmoud Abbas criticou o ataque realizado por militantes na quinta-feira que matou seis civis israelenses no posto de controle de Karni, na fronteira com a Faixa de Gaza.

Segundo o presidente eleito da Autoridade Nacional Palestina, nem os atentados nem as recentes operações militares de Israel nos territórios palestinos trazem benefícios para o processo de paz.

Nesta sexta-feira, o governo de Israel decidiu isolar a Faixa de Gaza por tempo indeterminado em resposta ao ataque.

Karni é o principal posto de controle para a passagem de produtos agrícolas e outros bens que entram e saem da Faixa de Gaza e é vital para fornecer suprimentos para cerca de 1,3 milhão de palestinos.

Ação conjunta

O local foi imediatamente fechado após o atentado, organizado em conjunto pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, o Hamas e os Comitês de Resistência Popular.

Nesta sexta-feira, o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, decidiu fechar também os postos de controle de Erez (que liga Gaza a Israel) e de Rafah (fronteira entre os territórios palestinos e o Egito).

Segundo o Exército israelense, os militantes usaram explosivos escondidos em um caminhão para explodir a parede do posto de controle de Karni.

Depois de violada a segurança, três palestinos teriam atravessado para o lado israelense, atirando e detonando explosivos, quando foram mortos a tiros pelos soldados.
No relato do jornal israelense Haaretz, no entanto, os militantes teriam morrido ao detonar bombas que levavam presas aos próprios corpos.

Situação difícil

Este foi o pior ataque desde que Abbas foi eleito presidente da Autoridade Palestina.
Ele disse logo após ser eleito que esperava convencer grupos militantes a concordar com um cessar-fogo.

Mas analistas afirmam que Abbas encontra-se em uma posição difícil: enquanto ele se comprometeu a negociar com Israel, é incapaz de tomar qualquer ação contra os grupos militantes.

As Brigadas de Al-Aqsa, um dos três grupos envolvidos no ataque, são da mesma facção política que o novo presidente, o Fatah.

Logo depois do ataque, helicópteros israelenses dispararam dois mísseis contra o campo de refugiados palestinos de Deir el Balah, no centro de Gaza, deixando uma pessoa ferida.
Segundo o Haaretz, o ataque aéreo visava “um alvo ligado ao Hamas”.

Tiroteio

O correspondente da BBC Alan Johnston afirma que o envolvimento das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa representa um golpe para Abbas.

A pesada troca de tiros impediu que as ambulâncias de alcançassem os feridos no ataque. Pelo menos quatro soldados teriam ficado gravemente feridos.

De acordo com relatos, o posto estava relativamente sem movimento quando houve o ataque, às 23h no local, 18h do Brasil.

Ainda nesta quinta-feira, antes do atentado em Karni, ataques israelenses na Faixa de Gaza mataram dois palestinos.