Abbas afirma que “nova era” tem início no Oriente Médio

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Publicado segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005 as 08:51, por: cdb

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que os palestinos e Israel estão entrando em uma “nova era” após mais de quatro anos de violência, de acordo com uma entrevista ao The New York Times publicada nesta segunda-feira. Abbas disse, em comentários divulgados no site do jornal, que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, está falando uma “linguagem diferente”.

Ele saudou o plano de Sharon de retirar, este ano, todos os 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 na Cisjordânia como “um bom sinal” para o plano de paz conhecido como “mapa de caminho”.

– E agora ele (Sharon) tem um parceiro – disse Abbas, eleito em 9 de janeiro para substituir Yasser Arafat com uma plataforma de não-violência.

Questionado sobre se o atual levante armado palestino, que começou em 2000 após o colapso de negociações de paz, foi um erro, Abbas respondeu:

– Não podemos dizer que foi um erro. Mas qualquer guerra tem um fim – disse ele.

Abbas disse que os grupos militantes Hamas e Jihad Islâmica, que prometeram suspender ataques contra Israel enquanto avaliam uma trégua, estão comprometidos em “esfriar toda a situação e acredito que vamos começar uma nova era”.

As duas facções “querem chegar ao poder se puderem” nas eleições legislativas de julho, “e se ganharem…é o direito delas”, afirmou.

– Agora o Hamas e a Jihad estão concorrendo para as eleições, e o que isso significa? Significa que eles se converterão com o tempo em partidos políticos – disse.

Sobre o tema dos refugiados, Abbas – que é um deles – exortou Israel a acabar com a rejeição ao direito de retorno ao que é hoje o Estado judaico.

– Não acho que os israelenses tenham o direito de dizer, ‘Não, não vamos discutir isso. Vamos pedir para discutir…e quando chegarmos a um acordo, sobre qualquer coisa, é claro que vamos aceitar – disse ele. 

Líderes israelenses dizem que os refugiados palestinos devem ser estabelecidos em um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e que um fluxo deles para Israel seria uma espécie de suicídio demográfico, porque os judeus acabariam por virar minoria em seu próprio país.