A revolução das TICs no mundo de hoje

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Publicado domingo, 26 de agosto de 2001 as 14:35, por: cdb

Leia a íntegra do artigo:

“TICs NO CAPITALISMO GLOBALIZADO

As tecnologias de informação e comunicação (ou TICs) ocupam espaço crescente na pauta de organizações governamentais e não-governamentais, governos, empresas, escolas. Depois do fim da bolha de internet nas bolsas (em especial Nasdaq), inciou-se uma nova fase, sem euforia, de conflitos e debates sobre o destino das TICs nas sociedades contemporâneas.

Há três temas de pesquisa essenciais na construção das novas redes na economia global:

1. mudança organizacional: mudança cultural e tecnológica em todas as organizações cujo sentido é a constituição de práticas de produção de conhecimento como requisito para a inovação e a competitividade,

2. convergência e interatividade: embora seja evidente que as novas TICs constituam desdobramentos na história das comunicações (rádio, telefonia, televisão, etc.) e da computação (protocolos, sistemas de armazenamento e processamento, ubiqüidade dos aparatos, etc.), o aspecto mais relevante e ainda em fase de identificação, exploração e criação é o da convergência entre essas várias mídias e suportes tecnológicos sob o signo de uma interatividade sem precedentes, sugerindo até que já nem se trata só de processos de comunicação, mas de novas relações sociais e processos de criação e acumulação de valor,

3. conhecimento tácito: essas novas relações e processos, centrados na conversão de informação em conhecimento, exigem e estimulam a percepção de várias modalidades ou mesmo novas imagens do conhecimento, com destaque para o que se denomina conhecimento tácito, ou seja, aquele que resulta do processo mesmo de comunicação, nem sempre sendo passível de registro/codificação/explicitação nos moldes cristalizados nas organizações existentes (empresas e instituições de ensino).

Fala-se cada vez mais em atividades de “alfabetização midiática” que envolvem pelo menos as seguintes dimensões:

– compreensão do processo de produção de conteúdo em várias mídias,
– capacitação para a leitura crítica de mídias, em especial das novas mídias,
– valorização das dimensões cooperativas e comunitárias da comunicação social,
– reformulação de técnicas e metodologias de registro e manutenção de acervos,
– produção de metodologias voltadas à exploração da convergência de mídias e novas tecnologias de informação e comunicação,
– exploração das relações entre comunicação e produção de conhecimento.

Do ponto de vista metodológico, essas atividades combinam duas vertentes: de um lado, a ampliação e prolongamento de visões sofisticadas de processos de alfabetização, na tradição da pedagogia de Paulo Freire, de outro lado, a pesquisa sobre formas inovadoras de utilização das novas mídias que passam por um rápido e instável processo de convergência tecnológica cujo horizonte global é o da utilização de banda larga.

A interatividade é uma idéia relativamente generalizada, mas que em poucas situações ocorre de fato. Técnicos e críticos continuam em busca de um ambiente, de um instrumento, de uma tecnologia que faça justiça às promessas de interatividade trazidas pela internet e, cada vez mais, por novas tecnologias como a televisão digital com enorme potencial de interatividade e articulação/convergência de diferentes mídias e atividades (lazer, ensino, trabalho, comunicação, etc.).
A idéia de comunidade também ganhou força nos últimos anos, talvez como resposta parcial às preocupações com os excessos e desajustes provocados pela globalização. Aliás, a própria internet começou como uma comunidade de pesquisadores trocando informações sobre projetos numa rede de universidades norte-americanas. Mais recentemente, a engenharia de comunidades tornou-se também uma espécie de Meca dos desenvolvedores de planos de negócios e de marketing, assim como de projetos educacionais na internet.
Finalmente, a informalidade tem sido valorizada, novamente um conceito antigo (nada mais informal que um grupo de adolescentes metido numa gar