A necessidade de repor a reforma política na agenda nacional

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Publicado segunda-feira, 27 de agosto de 2012 as 09:39, por: cdb

Um bom momento para este debate sobre reforma completa do horário de propaganda eleitoral no rádio e TV – inclusive sua manutenção ou extinção – seria no bojo da discussão de uma ampla reforma política. O tema tem tudo a ver com esta agenda que, de certa forma, saiu um pouco da pauta nacional nos últimos anos.

E saiu muito por obra e graça da imprensa. Salta a vista a oposição da maioria da mídia à reforma politica. Apesar dela diariamente mostrar o  efeito mais nocivo da falta que a reforma política faz, que é a continuidade da corrupção, privilégios, nepotismo e  fisiologismo encontrados na atividade politica.

Só que a imprensa faz isto como uma espécie de campanha contra os políticos, sem mostrar nunca que esses males decorrem da falta da reforma política, da manutenção dos vícios existentes em nosso sistema político.

Os males trazidos pela falta da reforma política

São males – todos – que começam exatamente com o sistema uninominal de voto e o financiamento privado de campanhas eleitorais.Começam com o peso cada vez maior do poder econômico nas eleições e com o custo cada vez maior das campanhas. Mas, isso a mídia não mostra.

Assim, a reforma politica é uma necessidade urgente, urgentíssima, mais uma vez comprovada agora com o Caso Cachoeira que mostrou que o crime organizado não apenas controlou o governo tucano de Goiás como financiou as eleições do DEM e do PSDB no Estado.

A pesquisa Datafolha sobre o horário eleitoral derruba, assim, um dos principais críticos da existência deste programas: exatamente os meios de comunicação. Nem preciso evocar o quanto os veículos de comunicação são contra o horário de propaganda eleitoral.

Contra a Voz do Brasil

Da mesma forma que são contra a Voz do Brasil (transmitida em rede de rádio há 78 anos, desde 22 de julho de 1935). contra a qual rcrudesceu a campanha nos últimos anos.

Vejam vocês, apesar da mídia eletrônica (rádio) ser concessão pública, da maioria dessas empresas e emissoras pagar pouquíssimos impostos e ter vivido de financiamentos públicos no passado, de verbas de publicidade do governo, de favores da ditadura militar (1964-1985), de subsídios públicos (como o do papel), não querem retribuir à sociedade com a prestação de serviços públicos.

No caso que ora discutimos, retribuir na forma de espaço para a campanha para as eleições, base da democracia representativa e plural.