A morte de Saraiva Guerreiro

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Publicado quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 as 14:36, por: cdb

Chanceler durante os seis longos anos de governo do general João Baptista Figueiredo (1979-1985) durante a ditadura militar, Ramiro Saraiva Guerreiro teve o mérito de manter e aprofundar uma política externa relativamente independente.

Principalmente em relação aos Estados Unidos que, com sua ação de permanente ingerência nos assuntos internos e ameaça à soberania dos outros países é, há mais de um século, algoz para todo o mundo.  É um pouco essa linha de política externa que a presidenta Dilma Rousseff e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, realçam nas notas oficiais que emitiram a respeito da morte do ex-chanceler.

Acentuam que como defensor da diplomacia multilateral, das relações com os países do Sul e dos fundamentos de uma política externa independente para o Brasil, o embaixador Guerreiro, nas funções de secretário-geral do Itamaraty, ministro e negociador da dívida externa brasileira merece reconhecimento.

Tucanos deram uma guinada de servilismo aos EUA

Sua morte enseja a essa reflexão que faço com vocês e a constatação de que os militares (o regime militar em sua maior parte)  não foram assim tão mal na política externa e na defesa dos interesses nacionais. Não tiveram apenas uma ação retórica, buscaram a atingiram objetivos nessa linha.

Sem contar o fato de que os quadros do Itamaraty sempre foram compostos por excelentes diplomatas, o que facilitou essa tarefa e as conquistas que nossa política externa buscou mesmo na ditadura, nos períodos em que teve chanceleres que seguiam essa linha, caso de Guerreiro e do também embaixador Antônio Azeredo da Silveira (1975-1979).

Assim, há que se reconhecer que fora a era tucana (comandada por FHC de 1995 a 2002 e que antes ocupara o Itamaraty em parte do governo Itamar Franco), marcada por um surto de dependência, sempre mantivemos uma linha razoável de política externa.

Mas, no período militar houve outra exceção: foram os primeiro anos da “Redentora”, a quartelada de 1º de Abril, governo do Marechal Castelo Branco (1964-1967). Tivemos, então, até um chanceler, Juracy Magalhães, egresso da velha UDN, que chegou a cunhar a célebre expressão “o que é bom paara os Estados Unidos é bom para o Brasil”.