A lógica do capital nas redes sociais

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Publicado sábado, 24 de março de 2012 as 10:34, por: cdb

Você já pensou em ser pago para navegar nas redes sociais? Seguindo a lógica do sistema capitalista, o cientista e pesquisador do laboratório de computação social, Bernardo Huberman, de uma multinacional, defendeu essa ideia nesta semana. Ele acredita que a privacidade na rede como é conhecida hoje está prestes a chegar ao fim. Para ele, em um futuro não muito distante, revelar um segredo em redes sociais somente acontecerá sob o pagamento em dinheiro.

“Os usuários devem ser pagos para participar do Facebook e do Twitter, por exemplo”, afirmou o representante da multinacional.

Huberman lidera uma pesquisa que identificou a importância do usuário na construção e na consolidação de uma rede social. “Atualmente, uma empresa é capaz de conhecer os hábitos até mesmo quando as pessoas não estão conectadas a partir de um dispositivo”, exemplificou.

As companhias de análise estratificam os dados e os transformam em tendências comerciais. Com isso, elas são capazes de projetar as horas em que um funcionário de uma empresa, por exemplo, está no banheiro ou almoçando por conta não somente da queda no tráfego online mas também das informações divulgadas na web.

O cientista lembrou que as informações são muito valiosas para as empresas e que as pessoas ainda não têm a dimensão de como a divulgação de um livro recém-lido, por exemplo, pode ajudar a traçar o perfil do usuário. “As companhias vendem os dados dos usuários para empresas de marketing, que lucram toneladas de dinheiro em cima disso”, afirmou.

Nada mais justo, portanto, que os usuários participem dos lucros das companhias – que se baseiam primordialmente nas pessoas, e não na tecnologia, para se tornar um sucesso digital. Esse é o caso, aliás, do próprio Facebook, que, com quase 900 milhões e usuários em todo o planeta, deve entrar na bolsa de valores em maio deste ano com um valor estimado de US$ 5 bilhões, sem nenhum centavo compartilhado com os usuários, às exceção do que responde pelo nome de Mark Zuckerberg.

Projetos que pagam o usuário já existem

Uma empresa criadora de vários aplicativos populares de redes sociais lançou uma rede que trabalhará com um sistema para pagar os usuários pelos posts.O sistema de pagamento usa o dinheiro como atrativo para que as pessoas participem dela ativamente – o que tem sido um problema para as novatas: atrair público.

“Quando há dinheiro envolvido, você consegue um nível de seriedade que não existe se não há pagamento”, afirma. O YouTube já aposta na mesma premissa, e paga aos usuários por conteúdos muito populares, na expectativa de que a qualidade dos vídeos seja o destaque. A prática também já foi testada pelo Blogger, do Google.

Um outro exemplo é a rede social espanhola TuyYou, que pretende oferecer uma comissão pelas compras realizadas pelos usuários recomendados. Além de uma plataforma de comércio eletrônico, o TuyYou permite compartilhar conteúdo e realizar contatos profissionais.

Fonte: Terra

 

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