“A hora da verdade para o mundo”, diz Bush

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 08:24, por: cdb

O presidente americano, George W. Bush, disse que esta segunda-feira será “a hora da verdade para o mundo”, depois da reunião de cúpula, nas ilhas dos Açores, com os seus aliados britânicos e espanhóis sobre a crise no Iraque.

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) está diante do fim do prazo para a votação de nova resolução exigindo o desarmamento imediato de Saddam Hussein e evitando um ataque comandado pelos Estados Unidos.

A reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança está marcada para às 10 h (meio-dia, no horário de Brasília) desta segunda-feira, segundo um porta-voz da ONU.

O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, disse que, se ficar óbvio que não vai mais haver progresso, o presidente Bush poderá fazer um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão na noite desta segunda-feira para preparar o público do país para a guerra.

Cronograma

O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, deve apresentar ao conselho um programa para a conclusão do processo de desarmamento no Iraque.

Os Estados Unidos e os seus fiéis aliados na Grã-Bretanha, enquanto isso, já recomendaram a saída de Kuwait, Israel e Síria de todos os seus diplomatas não-essenciais e de suas famílias, por causa do risco de um conflito iminente com o Iraque.

Enquanto os rumores sobre um ataque crescem, a ONU interrompeu as suas operações de vigilância sobre a fronteira entre o Iraque e o Kuwait nesta segunda-feira, segundo um representante da ONU no Kuwait.

A resposta do Iraque ao ultimato dado pelo presidente Bush foi uma ameaça: a guerra será lutada em todo o mundo.

O encontro nos Açores foi o último esforço americano para angariar votos suficientes em favor de uma nova resolução entre os membros do Conselho de Segurança.

O presidente da França, Jacques Chirac, reiterou que o seu país poderia vetar qualquer resolução que abrisse caminho para a guerra, dizendo, em entrevista a um canal de TV americano: “devemos tentar (a diplomacia) até chegarmos a um beco sem saída”.

Depois de semanas de empurra-empurra diplomático, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha conseguiram aparentemente convencer apenas a Bulgária, entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança, dos quais são necessários nove votos para aprovar a resolução.

Frustração texana

Depois da reunião nos Açores, o presidente George W. Bush deixou a sua frustração clara:

“Temos uma expressão no Texas que diz: ‘mostre as suas cartas'”, disse o presidente.

“A França já mostrou as suas cartas. Agora temos que ver amanhã (na segunda-feira) o que a carta significa”, completou.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também fez um “apelo final para que haja uma mensagem forte e unificada da comunidade internacional” a Saddam Hussein, o que foi interpretado por comentaristas como um recado à França.

O Pentágono diz que já tem 250 mil soldados no Golfo, e tanto as forças americanas quanto as britânicas dizem estar prontas para qualquer ofensiva militar.

Saddam Hussein também parece estar pronto para a guerra, dizendo que, se o Iraque for atacado, a batalha acontecerá “onde quer que haja céu, terra ou mar em todo o mundo”.

O ministro do Exterior do Iraque, Naji Sabri, disse que dezenas de milhares de homens e mulheres iraquianos estão prontos para serem mártires de qualquer guerra contra o “traiçoeiro” inimigo americano.

Sabri disse ainda que a recente decisão de Saddam Hussein de dividir o território iraquiano em zonas militares foi “somente uma questão de organização”, para enfrentar uma invasão.

Ele afirmou que a elaboração desse esquema levou em consideração a possibilidade de que a infra-estrutura de comunicação do Iraque seja destruída, como ocorreu na Guerra do Golfo de 1991.