A geração dos Fóruns Sociais e o PT

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005 as 12:30, por: cdb

A quinta edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre deixou alguns sinais de alerta no ar para os quadros dirigentes do PT, para aqueles que ainda têm olhos para ver e ouvidos para escutar. O partido está deixando de ser uma referência política importante para a maioria da geração dos fóruns, a juventude que vem participando ativamente deste movimento desde 2001. Quem andou pelo território do Fórum, principalmente pelo Acampamento da Juventude, sabe disso muito bem. E não só está deixando de ser uma referência como vem se tornando, progressivamente, uma referência negativa. Pode ser prematuro dizer que se trata de um quadro irreversível, mas os caminhos que o partido vem trilhando, suas práticas cotidianas e as escolhas que vem fazendo afastam-se cada vez mais dos caminhos, práticas e escolhas que atraem essa juventude que, ao contrário do que muitos dizem, permanece ávida por política.
Do ponto de vista de referências partidárias, o PSTU e o P-Sol parecem estar muito mais próximos desta juventude do que o PT. Os dois partidos promoveram reuniões em Porto Alegre que reuniram cerca de 500 ou mais pessoas, cada. Isso não quer dizer que eles estão prestes a se tornar uma espécie de vanguarda do movimento altermundista aqui no Brasil, até porque muita gente que participa do FSM não topa organizar-se em partidos, enxergando-os mesmo com desconfiança. Além disso, o discurso desses dois partidos, especialmente no caso do PSTU, segue operando em uma faixa demasiadamente estreita para conseguir se comunicar, de modo mais efetivo, com os milhares de jovens que vêm freqüentando o ambiente dos fóruns no mundo inteiro.

Mas o que chama mais a atenção é o recuo ideológico do PT que vai perdendo também a capacidade de estabelecer uma comunicação real com essa juventude. Não é casual que as principais atividades promovidas por petistas no FSM 2005, descontada a aparição do presidente Lula no Gigantinho, foram justamente de setores da esquerda partidária que não escondem seu descontentamento com a situação atual do partido e do governo federal. Não é casual tampouco que a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, tenha enfrentado problemas com o público do FSM ao explicar algumas decisões do governo federal na área, como é o caso paradigmático dos transgênicos.

Dissidentes, descontentes e desistentes

As duas maiores tendências da esquerda petista – Democracia Socialista e Articulação de Esquerda – lançaram uma carta aos militantes do partido, assinada também por outras tendências, advertindo sobre os riscos da conjuntura atual e defendendo mudanças na linha do partido e do governo. Outro grupo da esquerda partidária, que reúne dissidentes da Articulação de Esquerda e outros setores, também realizou uma atividade semelhante, divulgando seu manifesto e as razões de sua dissidência. Além disso, um grupo de cem petistas, liderado por Plínio de Arruda Sampaio Jr. anunciou sua desfiliação do PT. As tendas do Fórum de Porto Alegre abrigaram centenas de dissidentes, desistentes e descontentes das mais variadas matizes. Além dessas atividades, o PT apareceu no FSM na marcha de abertura, em um seminário promovido pela Fundação Perseu Abramo, na conferência de Lula no Gigantinho, além de alguns debates promovidos por parlamentares. Qual o saldo final dessa participação?

A julgar pelo que se viu durante o Fórum e especialmente durante a passagem do presidente venezuelano Hugo Chávez pelo Gigantinho, ele está longe de ser positivo. Mesmo relativizando o estrondoso sucesso de Chávez, tendo em vista a concentração de um público mais radicalizado do que usualmente se encontra na sociedade, sobram indícios de que está em curso uma ruptura entre essa juventude e o PT. Um deles foi o modo como Chávez foi recebido no Gigantinho: uma adaptação do jingle de campanha de Lula, cantado por cerca de 15 mil pessoas, dentro e fora do ginásio: (olê, olê, olê, olê, Chavez, Chavez…). As bandeiras ou camisetas do PT, pre