A França, 100 dias antes das eleições presidenciais

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Publicado quinta-feira, 18 de janeiro de 2007 as 15:41, por: cdb

Cem dias antes das eleições na França para eleger o novo Presidente da República, a situação começa ficar mais clara para os eleitores daqui. Três personagens se distinguem, além do candidato eterno da extrema direita, Jean Marie Le Pen, que, no segundo turno das ultimas eleições, ficou em segundo lugar e obrigou os eleitores franceses de esquerda a reeleger, por um segundo mandato, o atual presidente, Jacques Chirac.

Hoje, pela primeira vez na França, uma mulher se destaca como candidata única da esquerda socialista: Ségolène Royal, que segundo as pesquisas de opinião poderia chegar a ser a nova presidente da República francesa e causar uma verdadeira revolução num país considerado na Europa como ‘políticamente macho’. Ela conseguiu unificar, sob seu nome, não só as diferentes tendências dos socialistas, mas também os dois movimentos dos radicais.

No início desta semana, as pesquisas creditavam a ela 53% de votos no segundo turno, à frente portanto do candidato de direita, Nicolas Sarkozy, atual ministro do Interior. Ela sustenta essa posição mesmo depois da missa solene, domingo último, do partido conservador UMP, para o qual o candidato Sarkozy é considerado como vencedor da eleição. O que mais surpreendeu esta semana nas pesquisas de opinião é a subida do candidato do centro-direita, François Bayrou, que obteve 12% dos votos, chegando em terceiro lugar, antes do candidato de extrema-direita, Jean Marie Le Pen.

Presidente do partido UDF, François Bayrou sempre denunciou o bipartidarismo francês e é considerado como o homem da Terceira Via, achando que o centro e o único caminho possível para França. “Honnête homme” (Homem Honesto) no sentido do século XVIII e homem do “terroir” (interior) francês, Bayrou tem raízes nas montanhas dos Pirineus e é também dono de considerável cultura. Mestre em Letras, ele foi professor e, alguns anos depois, Ministro da Educação, de 1993 até 1997.

Já candidato nas últimas eleições presidenciais de 2002, François Bayrou tem uma grande paixão pela a literatura e a poesia. O fato poderia seduzir muitos indecisos democratas que têm medo do lado autoritário dos dois outros principais candidatos, Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy. Ambos têm uma grande sede de poder que parece muitas vezes maior do que o conteúdo do programa politico que os embala, o que faz dizer a muitos observadores que eles são afinal muito parecidos, sobretudo quanto aos temas relativos à Segurança e à importancia do poder do Estado.

No discurso de François Bayrou, o importante não é tanto o Estado, mas a empresa e, acima de tudo, a pequena empresa francesa, a empresa artesanal, o espírito empresarial. Liberal ao extremo, ele explora um tema que alavanca um número considerável de votos dentro de uma França que conta ainda com inúmeras empresas de tamanho médio ou pequeno, que vergam sob o peso de uma carga imensa de impostos; além das conseqüências da lei das 35 horas.
 
Geneviève Yver é correspondente do Correio do Brasil na França.