A crise chegou. Temos que agir como numa guerra

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Publicado quinta-feira, 28 de junho de 2012 as 13:51, por: cdb

Estou totalmente de acordo com a análise feita pelo professor Luiz Carlos Delorme Prado sobre a economia brasileira, em particular quando escreve que o Brasil não é uma ilha e o governo precisa aumentar os gastos públicos para poder enfrentar com maior chances de sucesso a crise internacional.

Segundo a análise, publicada na Folha de hoje (O Brasil não é uma ilha, e a crise econômica mundial chegou ao país), as cidades brasileiras precisam de investimento em transporte de massa, há carência de investimento em saneamento, necessidade de reformar e ampliar as estradas e os portos no Brasil, mas o governo não tem conseguido aumentar o investimento de sua responsabilidade.

Concordo também quando ele avalia que as medidas anunciadas ontem, de realizar gastos de curto prazo na aquisição de bens e serviços num total de R$ 8,4 bi para comprar caminhões, tratores, ambulância, trens, ônibus etc. é uma medida bem-vinda e necessária. Só que o professor argumenta que é pouco. Certamente é!

Não entendo essa fixação na manutenção de um superávit primário tão elevado. O governo tem que reduzir o superávit, aumentar os investimentos públicos, destravar a máquina, resolver problemas administrativos e ambientais, liberar os recursos. Não pode deixar o Tesouro dirigir a política econômica via controle burocrático dos investimentos públicos.

O governo tem anunciado muitas medidas em um bom ritmo, mas as medidas ainda são tímidas. A questão é que nós estamos numa verdadeira guerra. A crise já chegou. Logo, precisamos que o governo se conscientize e aja de acordo com essa situação: monte o seu estado maior para enfrentar a guerra em curso e adote as medidas de guerra, medidas extremas. Do contrário os efeitos da crise em nosso país serão bem mais fortes de que os que enfrentamos até agora.