A conjuntura internacional e o 1º de abril de 1964

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Publicado segunda-feira, 5 de abril de 2004 as 11:01, por: cdb
Atualizado em 13/11/16 11:52

Quarenta anos depois e em um contexto político inteiramente diferente o movimento militar que depôs o presidente João Goulart em 1º de abril de 1964, continua provocando celeumas. Neste particular, é bem indicativa da importância do acontecimento a quantidade de matérias que, a respeito, foram publicados na mídia nos últimos dias. Nas universidades, tendo o período dos governos militares (1964 – 1985) por referencial, também se realizou um número considerável de encontros acadêmicos. Está nesse caso o simpósio  1964/2004 Ontem, Hoje e Depois que os Departamentos de Ciência Política da UFRJ e da UFF, contando com o apoio do Correio do Brasil e da revista eletrônica www.achegas.net, promoveram entre os dias 31 de março e 2 de abril.

Na qualidade de organizador do referido simpósio, juntamente com os professores Eurico de Lima Figueiredo e Mauricio Dias David, participei das seis seções que, contando com pesquisadores de alto nível, foram realizadas. Uma coisa quer me saltou aos olhos é que a platéia constituída em sua esmagadora maioria por alunos que eram crianças no período em que reinou o “regime autoritário”, pelas perguntas que faziam, tinham uma certa dificuldade de entender porque Goulart fora deposto. Uma boa pista para compreender a questão está no fato de que na época reinava a chamada guerra fria, disputando os Estados Unidos e a extinta União Soviética, palmo a palmo áreas de influência. Vale lembrar que em 1959 ocorrera a Revolução Cubana capitaneada por Fidel Castro e Ernesto Guevara. Cinco anos depois o reformismo trabalhista de Goulart pareceu aos segmentos mais conservadores da sociedade brasileira como uma terrível ameaça de “cubanização” do nosso país.

* Aluizio Alves Filho. Prof do Departamento de Ciência Política da UFRJ.