A arte de Tarsila do Amaral volta a Paris após 80 anos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 2 de janeiro de 2006 as 00:40, por: cdb

A mostra Tarsila do Amaral – Pintora Brasileira em Paris ocorre quase 80 anos depois da primeira exposição da artista na capital francesa, na Galeria Percier, em 1926. Ela realizou uma segunda exposição em Paris, em 1928, e somente depois teve sua primeira mostra individual no Brasil. Durante boa parte dos anos 20, Tarsila viveu entre o Brasil e a França.

Tarsila estudou na capital francesa com os pintores Fernand Léger, André Lhote e Albert Gleizes. Foi com Léger que a pintora brasileira aprendeu, em 1923, a construir suas obras com contrastes de formas e cores. Foi também em Paris que Tarsila “descobriu” os negros brasileiros e começou a se interessar por eles, retratando-os em suas obras.

A exposição apresenta cerca de quarenta obras, entre pinturas e desenhos. A mostra reúne quadros pertencentes a museus brasileiros e a colecionadores privados. Um único quadro, A Cuca, faz parte do acervo de um museu francês, o de Grenoble. A mostra é uma ocasião rara para ver inúmeras obras de Tarsila reunidas em um só local.

A mostra apresenta três fases da artista: as pinturas nos primeiros anos em Paris, a fase Pau-Brasil, com muitas cores e temas brasileiros, e o famoso período da Antropofagia. Paulo Herkenhoff, curador da exposição e diretor do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, diz que a exposição mostra o momento de “explosão de uma artista”.

Um aspecto interessante da exposição é que ela também apresenta quadros de Fernand Léger, André Lhote e Albert Gleizes. E permite comparar a produção de Tarsila com a de seus professores, como também com a do pintor Valmier. Ele não foi seu mestre, mas o modernista Mário de Andrade tinha grande interesse pela obra de Valmier.

Partindo de um desenho ou de um guache como o pintor francês Fernand Léger costumava fazer, Tarsila constrói suas pinturas com desenhos preparatórios.

– A mostra tem uma temperatura francesa e é uma extraordinária ponte entre a cor em Paris naquele momento e o que se projetava como um Brasil moderno – diz o curador da exposição, Paulo Herkenhoff.

Uma sala da exposição é dedicada à célebre fase da Antropofagia. Em outro espaço da mostra são exibidos documentos pessoais da artista, capas do catálogo de sua exposição em Paris, em 1926, e ilustrações realizadas por Tarsila. O escritor suíço Blaise Cendrars se tornou um grande amigo de Tarsila e Oswald de Andrade, seu marido. Segundo Tarsila, Cendrars exerceu uma influência sobre os modernistas brasileiros.

A exposição Tarsila do Amaral – Pintora Brasileira em Paris, 1923-1929, na Maison de l’Amérique Latine, na capital francesa, é o evento que encerra a programação do Ano do Brasil na França.

A mostra será apresentada até o dia 20 de fevereiro de 2006.