A Alemanha é contra um ataque ao Iraque

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Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 09:50, por: cdb

O chefe do governo alemão, Gerhard Schroeder, e seu ministro do Exterior, Joschka Fischer, fizeram, sábado, um alerta veemente contra um possível ataque norte-americano ao Iraque, ressaltando a necessidade de, antes de tudo, haver uma solução para o amplo conflito no Oriente Médio. “Só posso me pronunciar contra qualquer conversa ou consideração sobre uma guerra contra o Iraque a qual não leve em conta as consequências e que descarte um conceito político para todo o Oriente Médio”, declarou Schroeder durante um comício de seu partido, o Social Democrata, em Hanover. Schroeder reiterou que a Alemanha é solidária aos Estados Unidos no que diz respeito aos atentados de 11 de setembro, mas avisou que seu governo não está preparado para se envolver em “aventuras”. “A Alemanha não é mais um país onde a diplomacia do talão de cheque substitui a política”, acrescentou. Em entrevista a uma emissora de televisão, veiculada neste domingo, Fischer expressou uma posição similar. “Falar, neste momento, sobre forçar uma mudança de governo em Bagdad por meio de uma intervenção militar significa uma abordagem falsa das prioridades”, disse. Na terça-feira, Schroeder e também o presidente da França, Jacques Chirac, já haviam alertado que não apoiariam um ataque dos Estados Unidos ao Iraque sem um mandato das Nações Unidas. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, seu principal aliado, alegam que tal permissão não é legalmente necessária. Dois dias depois, o governo iraquiano convidou inspetores da ONU a visitar o país para discutir a questão das armas de destruição em massa de Bagdad. A oferta coincidiu com declarações do presidente norte-americano, George W. Bush, sobre seu propósito de derrubar o líder iraquiano Saddam Hussein. A afirmação de Schroeder contra uma ofensiva norte-americana também faz, segundo assessores, parte de sua campanha para aumentar suas chances nas eleições gerais de setembro.