800 mil pessoas rezam na Indonésia e pedem paz

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 10:25, por: cdb

Cerca de 800 mil pessoas reuniram-se neste domingo em Surabaya, a segunda maior cidade da Indonésia, para rezar pela paz. Esse é o maior evento contra uma guerra no Iraque já realizado no país, a nação muçulmana mais populosa do mundo.

Cerca de 85% da população indonésia, formada por 210 milhões de pessoas, são muçulmanas. A grande maioria é moderada, mas não vê com bons olhos a política norte-americana em relação ao Iraque.

“Nós não estamos defendendo Saddam Hussein, disse o deputado Fachruddin Masturoh. “Estamos simplesmente defendendo a humanidade, a justiça e a ordem no mundo.”

A maioria dos homens, com camisas brancas tradicionais, sarongues coloridos e lenços muçulmanos, levaram suas mulheres ao protesto, com seus vestidos coloridos e véus. Centenas de ônibus, caminhões e carros trouxeram moradores de outras partes da Província de Java, onde está localizada Surabaya. Apesar do número alto de pessoas, a manifestação ocorreu sem conflitos.

Moderados e radicais

O ministro de Relações Exteriores da Indonésia, Hassan Wirajuda, disse que o protesto é um exemplo pacífico para outras ações anti-guerra, e que ajudará o presidente dos EUA, George W. Bush, a mudar sua posição.

Políticos e religiosos indonésios temem que um ataque norte-americano ao Iraque cause tensão no país, em que tanto os muçulmanos moderados quanto os radicais têm sido extremamente críticos aos planos militares no golfo Pérsico.

“O radicalismo terá seu momento, porque eles poderiam dizer que a América conduziu a violência”, disse um dos políticos mais influentes do país, Hasyim Muzadi. “Nós [os moderados] não seríamos mais ouvidos.”

O militante Muhammad Rizieq, chefe da Frente dos Defensores Islâmicos, embasa o aviso. “Se a guerra começar amanhã, no próximo dia teremos milhares de novos Osamas bin Laden, que estarão prontos para destruir estruturas americanas em qualquer lugar da Terra”, afirmou.

Na capital Jacarta, cerca de 5.000 muçulmanos reuniram-se em frente à Embaixada dos Estados Unidos. Os manifestantes carregavam cartazes nos quais podia-se ler “Sem guerra, sem sangue, sem matança”.

Reação muçulmana

Na vizinha Malásia, onde o islamismo é a religião oficial, o jornal governista “New Straits Times” disse em um editorial que “não há moralidade em uma guerra contra o Iraque”, porque os motivos não são armas de destruição em massa, terrorismo ou libertação do povo oprimido.

“É sobre a imposição do estilo de vida americano no Oriente Médio”, afirmou o jornal. “Todas as justificativas, democracia, direitos humanos e estabilidade regional, são similares às desculpas usadas pelos imperialistas europeus do século 19, que conquistaram e pilharam a África e a Ásia para trazer Deus e civilização aos pagãos.”