400 pessoas morrem em conflitos entre governo e rebeldes na Libéria

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Publicado sexta-feira, 13 de junho de 2003 as 14:45, por: cdb

Cerca de 400 pessoas morreram perto de Monrovia, capital da Libéria, depois dos recentes combates entre forças rebeldes e tropas do governo.

De acordo com o ministro da Saúde do país africano, Peter Coleman, 150 corpos foram encontrados apenas na cidade de New Kroo.

Os combates foram interrompidos depois que os dois lados, na última quarta-feira, concordaram em dar uma trégua.

Mas a rádio Kiss FM, do presidente Charles Taylor, apelou para que os moradores dos distritos do noroeste da capital não voltassem para suas casas enquanto as tropas do governo “varriam” as forças rebeldes do lugar.

Prisão

Há poucas semanas, um tribunal de guerra, com respaldo da ONU, emitiu um mandado de prisão contra o presidente.

Ele é acusado de ser um dos líderes dos massacres de Serra Leoa durante a guerra civil do país vizinho.

De acordo com o tribunal, Taylor ainda pode ser preso.

O presidente, entretanto, afirmou que não haveria “paz” no país enquanto a ordem de prisão não fosse suspensa.

As conversas de paz entre o governo e os rebeldes devem continuar em Gana nesta sexta-feira.

As forças rebeldes, que controlam dois terços da Libéria e estavam na periferia de Monrovia na semana passada, ainda se recusam a conversar com Taylor ou sua delegação.

Moradores da capital temem a repetição do brutal massacre étnico que ocorreu durante a guerra civil de 1990, que deveria ter tido fim em 1997 com a eleição de Taylor.

– Nos hospitais, recebemos inúmeros feridos por bombas e balas perdidas. Vários civis morreram – disse Coleman.

Guerra brutal

Além de ter emitido o mandado de prisão contra o presidente liberiano, o tribunal de crimes de guerra de Serra Leoa expediu também uma ordem de prisão internacional.

Com isso, a Interpol passa a atuar na busca do presidente.

“Nossas decisões tomadas antes continuam valendo”, disse Tom Perriello, porta-voz dos promotores do tribunal.

Apesar da ordem internacional de prisão, as autoridades de Gana deixaram Taylor voltar a seu país depois de participar das negociações de paz.

Em Monrovia, agentes humanitários estão cada vez mais preocupados com as condições de vida das quase 1 milhão de pessoas que fugiram com medo dos combates.

A cidade estava calma na última quinta-feira e alguns moradores começaram a voltar para suas casas abandonadas.

“Viemos verificar o que sobrou das nossas propriedades”, disse Marie Toe, de 32 anos.

– Esperamos que um cessar-fogo ocorra para não precisarmos fugir de novo.

Na última quinta-feira, os Estados Unidos redirecionaram um navio de guerra que seria enviado para o Iraque e o mandaram para resgatar americanos na Libéria.