1977: Colisão de aeronaves em Tenerife deixa 583 mortos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 27 de março de 2011 as 04:35, por: cdb

Eram 10h20 no aeroporto de Amsterdã quando um Boeing 747 da companhia aérea holandesa KLM partiu com 235 passageiros e 14 tripulantes a bordo em direção à ilha Grã-Canária. O capitão era Veldhuizen Van Zanten, de 51 anos, com larga experiência profissional.

Durante o voo de quatro horas, ele recebeu uma importante mensagem do aeroporto de destino: um atentado a bomba num dos terminais provocou o desvio de todos os voos para a vizinha Ilha de Tenerife. No início da tarde, o avião da KLM pousou com segurança no aeroporto de Los Rodeos.

Apenas algumas centenas de metros dali, um Jumbo 747 da PanAm, com 378 passageiros e 16 tripulantes a bordo, era abastecido. Esse avião vinha de Los Angeles e também havia sido desviado para Tenerife.

Como a situação no aeroporto de Grã-Canária tivesse se tranquilizado, os voos voltaram a ser liberados. O capitão Veldhuizen manobrou seu avião em direção à pista de decolagem. Como o pequeno aeroporto de Los Rodeos não tinha capacidade para aviões deste porte, o capitão holandês seguiu as instruções da torre e às 18h estava em posição de decolagem.

Devido à forte neblina, ele mal conseguia ver a torre e nem o 747 norte-americano que se aproximava. Os dois aviões estavam a dois quilômetros um do outro e recebiam instruções pela mesma frequência de rádio. Talvez pelos poucos conhecimentos de inglês do pessoal da torre ou por problemas técnicos, houve algum mal-entendido, e o capitão da KLM entendeu que poderia decolar.

O piloto norte-americano pressentiu a catástrofe e tentou sair da pista, mas já era tarde. O 747 da KLM cortou a lateral do Jumbo da Pan Am a uma velocidade de 250 quilômetros por hora. A explosão foi imediata. Os poucos sobreviventes contaram que, em cinco minutos, estava tudo praticamente reduzido a cinzas.

As equipes de resgate levaram nove horas para apagar o incêndio. Saldo da catástrofe: 583 mortos. Nenhuma pessoa do avião holandês sobreviveu à tragédia. O relatório final dos peritos assinala que o acidente com o maior número de mortos da história da aviação se deveu a problemas de comunicação e a um erro do comandante holandês.