1968: Lançada a sonda lunar Surveyor 7

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Publicado sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 as 05:00, por: cdb

Ao fim dos anos 50, a Guerra Fria ampliou-se para o espaço sideral. O bem-sucedido lançamento do satélite Sputnik pelos soviéticos, vistos até então como atrasados no domínio de tecnologia, significou um duro golpe para o orgulho norte-americano. Novo abalo aconteceu quando os rivais enviaram os primeiros seres humanos para o espaço. Somente um ano depois, os EUA conseguiram entrar de fato na corrida espacial.

O choque de ter sido passado para trás duas vezes pelos comunistas da União Soviética levou o presidente John Kennedy a anunciar uma meta ambiciosa: ainda antes da década de 1970, os EUA iriam enviar homens à Lua e trazê-los de volta em segurança. Era 1961.

Este enorme projeto, que atingiu o ápice com o programa Apollo de voos lunares tripulados, foi desenvolvido cuidadosamente. Em Houston, no Texas, instalou-se o gigantesco centro da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), onde os vôos espaciais foram planejados, observados e avaliados. Em Cabo Canaveral, no litoral leste da Flórida, construiu-se a base de lançamentos dos veículos espaciais. Em Huntsville, no Alabama, Wernher von Braun comandava o desenvolvimento dos foguetes para os vôos tripulados.

Sondas não tripuladas

Papel importante cumpriu também o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, embora seu trabalho não costume ser tão lembrado. Ali as sondas lunares não tripuladas foram concebidas, construídas e controladas. Elas deviam verificar primeiro se a superfície lunar era de fato adequada para missões tripuladas.

As primeiras imagens da Lua foram transmitidas pelas sondas Ranger. Elas ainda não eram capazes de circundar a Lua e se destruíam ao chocarem-se contra o solo do satélite natural da Terra. As sondas começavam a fotografar a cerca de dois mil quilômetros de distância da Lua. Até a colisão, eram capazes de enviar cinco mil fotos para a base de Pasadena.

Ao mesmo tempo, a base californiana desenvolveu um novo tipo de sonda, que deveria pousar suavemente sobre a Lua. Estas foram batizadas de Surveyor. Após o pouso, elas deveriam enviar imagens das redondezas, analisar quimicamente o solo de onde estavam e investigar suas propriedades mecânicas.

Missões

As sondas possuíam 3,7 metros de altura e 4 metros de diâmetro. O peso chegava a 1 tonelada na decolagem, sendo 75% referente ao combustível a ser utilizado nos jatos de frenagem. Pela primeira vez experimentava-se em sondas um radar de medição de altitude, para controle da manobra de pouso. O dispositivo foi aprovado e as espaçonaves do programa Apollo ganharam similares.

A primeira das sete sondas Surveyor decolou de Cabo Canaveral no fim de maio de 1966, com um foguete Atlas, e pousou como previsto na Lua. Duas sondas (2 e 4) foram destruídas durante o vôo. A sétima foi enviada a 7 de janeiro de 1968. No total, elas transmitiram 80 mil imagens para a Terra.

Tanto os dados sobre estrutura da superfície como a aparência da paisagem lunar, dos diversos pontos onde as sondas pousaram, causaram boa impressão. A análise concluiu que a Lua era adequada para pouso tripulado.

Atrás, pela última vez

A série Surveyor pode ser considerada bem-sucedida, passo decisivo para o homem pisar na Lua. No entanto, ao lançar a primeira sonda, os americanos estavam de novo atrás dos soviéticos. Poucas semanas antes do lançamento da Surveyor 1, os concorrentes haviam pousado a sonda Luna no satélite natural.

Mas esta foi a última vez que os norte-americanos tiveram de engolir o sapo. Até mesmo porque os soviéticos não encararam o desafio de Kennedy e jamais anunciaram a intenção de enviar uma nave tripulada à Lua. Os concorrentes priorizaram o desenvolvimento da capacidade para voos de longa duração e a construção de pequenas estações espaciais.

A corrida espacial, motivada pelas divergências ideológicas, encerrou-se em meados da década de 1970, com as primeiras manobras conjuntas.