1901: Nasce a atriz Marlene Dietrich

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Publicado segunda-feira, 27 de dezembro de 2010 as 05:35, por: cdb

Marie Magdalene Dietrich nasceu em 27 de dezembro de 1901 em Berlim. Seu pai, Louis Erich Otto Dietrich, era tenente da polícia e a mãe, Wilhelmine, descendia da tradicional família fabricante de relógios Felsing. Pouco depois do nascimento da menina, a família mudou-se para Weimar. Mas após a morte do pai, em 1911, retornaria a Berlim, onde a mãe casou-se com o tenente granadeiro Eduard von Losch.

Apesar de sempre ter amado Berlim, Marlene nunca foi bem aceita na capital alemã por ter emigrado para os EUA após a ascensão dos nazistas, e cantado para as tropas aliadas trajando um uniforme norte-americano.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Dietrich como a cantora de cabaré Lola

Já em 1912, ela havia adotado o pseudônimo Marlene, criado a partir da junção de seus dois prenomes. Sua carreira no cinema e no teatro começou com papéis menores, a partir de 1922. Após o casamento com o assistente de produção Rudolf Siebert, em 17 de maio de 1923, e o nascimento da filha, Maria Elizabeth Sieber, em 13 de dezembro de 1924, fez uma pausa na carreira, que duraria até 1926.

Em 1929, Josef von Sternberg a contratou para seu filme O Anjo Azul, onde o papel de Lola e a canção Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt (Sou feita para amar, da cabeça aos pés) a consagrariam mundialmente.

Mito Marlene para a eternidade

O sucesso fez com que seguisse Von Sternberg até Hollywood, onde nos cinco anos seguintes ele trataria de eternizar o “mito Marlene”. Para o papel em O jardim de Alá, em 1936, o produtor David Selznick pagou-lhe 200 mil dólares o honorário mais alto no cinema, até então.

A ascensão ao poder do regime nazista na Alemanha fez com que ela evitasse contatos com sua terra natal. Em 1939, recebeu a cidadania estadunidense. Em 1943, começou com apresentações para as tropas norte-americanas no front.

Os convites do governo alemão para que retornasse ao país foram recusados por Marlene Dietrich, que criticava duramente o fascismo e ajudou emigrantes judeus. Por seu engajamento, foi condecorada por uma associação de combatentes do front.

Bildunterschrift: Marlene Dietrich em Hollywood, 1940

Durante o período da guerra, seus filmes não tiveram tanto sucesso como no passado, até que em 1948, a película A mundana, de Billy Wilders, lhe devolveu o posto de estrela. Na sequência, filmou, em 1950, Pavor nos bastidores, de Alfred Hitchcock.

Em 1953, no Hotel Sahara, em Las Vegas, iniciou uma nova carreira: de cantora. Durante três semanas teve casa lotada. Um ano mais tarde, ganharia o coração dos londrinos, no Café de Paris, e em 1968 faria sucesso na Broadway.

O retorno à pátria

Em maio de 1960, faria a primeira visita à Alemanha após o final da guerra, apresentando-se em algumas cidades alemãs. Sem se importar com a idade, mas com muita energia, autodisciplina e obsessão pela perfeição, ela criou o mito de one woman show de beleza sensual e atemporal.

Em 1978 protagonizou seu último filme, Apenas um gigolô, onde contracenou com David Bowie. Após sofrer uma segunda fratura na perna, em 1979, retirou-se completamente da vida artística, refugiando-se em seu apartamento em Paris.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Sepultura de Marlene Dietrich em Berlim

Em 1982, o diretor e produtor austríaco Maximilian Schell quebraria este autoisolamento para produzir o documentário Marlene, estreado em 1984, e onde apenas se ouve a voz da diva. Sua imagem de femme fatale foi preservada até o final de sua vida, em 6 de maio de 1992, aos 90 anos de idade.

Morte por overdose?

Norma Bosquet, contratada pela cantora e atriz para escrever suas memórias (Nur mein Leben – Apenas minha vida, lançadas em 1979) cogitou a possibilidade de a morte ter sido causada por overdose. Após sofrer dois derrames cerebrais, Dietrich não tinha mais condições de morar sozinha.

“Ela precisava ser transferida para um asilo e ouviu o quanto falávamos sobre isso”, revelou Bosquet. “Ela só era feliz no palco”, lembrou a norte-americana, que durante 12 anos visitou Dietrich diariamente em seu apartamento parisiense.

Dez anos após sua morte, a diva alemã recebeu o título de cidadã benemérita de Berlim, em cerimônia em que foi representada por seu neto, Peter Riva. Ele lembrou que durante muito tempo Dietrich sentiu raiva de Berlim, mas que esta teria passado com a queda do Muro, em 1989. Por isso, seu desejo foi ser sepultada em sua cidade natal, ao lado da mãe.

(rw/rsr)