11,5 bilhões serão injetados na Economia até o final do ano

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Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 09:52, por: cdb

Daqui até o final do ano, R$ 11,5 bilhões serão injetados na economia, provocando um efeito semelhante ao que o décimo terceiro salário ocasiona nos últimos meses do ano. Somente em julho, foram cerca de R$ 2 bilhões a mais circulando na economia. Em agosto e setembro, a renda adicional será de R$ 3 bilhões. O fôlego extra para o comércio e a indústria virá do pagamento das parcelas de correção do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referente aos planos Verão e Collor I.
De acordo com cálculos dos técnicos da área econômica, a massa salarial nas seis maiores regiões metropolitanas do País é de R$ 14 bilhões. A diferença do FGTS a ser paga até dezembro é equivalente a 82% do total dos salários de um mês. Na média, é como se os brasileiros juntos estivessem recebendo 82% de um salário a mais. A injeção de recursos deve trazer algum ânimo para a economia, mas não será suficiente para puxar um crescimento mais forte no segundo semestre, avaliam os técnicos. “Pelo menos vai evitar queda”, disse um técnico. Ele acha que a economia do restante deste ano será muito parecida com a da segunda metade de 2001.
Parte desse dinheiro será utilizado para pagar dívidas, como já detectou o Banco Central no mês de junho. No entanto, tal como acontece com o dinheiro do décimo terceiro, uma parte do FGTS deverá ser utilizado para comprar bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e automóveis. Alguns indicadores confirmam essa previsão.
No mês passado, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em São Paulo, cresceram 9,1% na comparação com igual período de 2001. Em maio e junho, o volume de consultas, que mede o desempenho das vendas a prazo, esteve abaixo do de 2001. A Associação Comercial de São Paulo registrou crescimento de 37,9% no número de consumidores inadimplentes que conseguiram quitar ou renegociar seus débitos em julho.
O estímulo do FGTS, aliado à recente decisão de baixar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, o que deverá reduzir o preço ao consumidor, poderá injetar ânimo numa economia abalada com a recente escalada do dólar e com os efeitos da crise internacional. Nesse ambiente de turbulência, a tendência natural seria uma retração no consumo, principalmente dos bens de valor mais elevado que dependem de crédito. No entanto, a renda extra deve amenizar o quadro negativo que se desenhou no primeiro semestre do ano.
De janeiro a junho, o faturamento real do varejo de São Paulo caiu 2,5% na comparação com igual período de 2001. As vendas nas lojas de departamento caíram 2,77% em maio. Também os automóveis tiveram desempenho negativo. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas caíram 24,1% em maio e 16,8% em junho, em comparação com os mesmos meses em 2001.