“Marcha contra corrupção”. Quem agita?

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Publicado terça-feira, 6 de setembro de 2011 as 22:07, por: cdb

Por Altamiro BorgesEstão previstas para este 7 de setembro, Dia da Independência, “marchas contra a corrupção” em capitais e importantes cidades do país. O objetivo até parece nobre, mas seus organizadores são mais sujos do que pau de galinheiro. Visam utilizar a bandeira da ética para esconder sua frustração com a derrota nas eleições presidenciais de 2010. O intento é desgastar o governo Dilma.Entre os promotores do “protesto espontâneo” estão os velhacos tucanos. “No 7 de setembro, a Juventude do PSDB-SP realizará atos contra a corrupção. Aproveitando as comemorações da data, a JPSDB-SP reunirá os jovens do Estado de São Paulo para se manifestar contra as sucessivas denúncias de corrupção que atingem membros do governo federal”, revela o sítio dos tucaninhos.O cinismo dos tucaninhosO cinismo dos organizadores é escancarado. Para enganar os ingênuos, eles generalizam as críticas à corrupção, citando inclusive a deputada federal Jaqueline Roriz, que acaba de escapar de um processo de punição na Câmara Federal. Só deixaram de avisar os incautos que a parlamentar foi eleita pela primeira vez pelo PSDB e que ela foi flagrada com dinheiro no bolso no famoso “escândalo do mensalão do DEM”, liderado pelo ex-governador José Roberto Arruda, o “vice-careca” do tucano José Serra.“Em um dia histórico para o nosso país, as juventudes municipais do PSDB de todo o Estado estarão reunidas por um único motivo: pedir um basta à corrupção”, agita Paulo Mathias, presidente da Juventude do PSDB de São Paulo. Ele poderia aproveitar para pedir a apuração das denúncias de desvio do dinheiro público na prefeitura de Pindamonhangaba, lideradas pelo cunhado do governador Geraldo Alckmin, ou para exigir que a mídia demotucana dê mais notícias sobre Paulo Preto, o “caixa” de Serra.O patético blogueiro da VejaOutro “agitador” das marchas é o blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo. Ele até publicou um roteirinho dos protestos. “Diversos grupos espalhados por todo país preparam pelo menos 38 manifestações contra a corrupção em 35 cidades. Milhares de pessoas já confirmaram presença nos eventos por meio das redes sociais”, comenta, excitado, o patético capacho da famiglia Civita.Nos últimos dias, ele ficou meio atordoado com as denúncias sobre os crimes da Veja para espionar o ex-ministro Dirceu. Ele até reclamou do restante da mídia demotucana, que preferiu não apoiar as ações mafiosas da sua empregadora. Daí sua agitação em defesa da “marcha contra a corrupção” para desviar a atenção. Se Dilma fosse mais ousada, a famiglia Civita seria processada e o seu blogueiro predileto até poderia perder sua boquinha! Os aliados perigososPor último, entre os apoiadores do “marcha”, vale citar a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Nesta terça-feira, dia 6, ela homenageou com a “medalha do mérito” os senadores que lutam contra a corrupção. A Firjan só não falou nada sobre os empresários que sonegam impostos, que desviam dinheiro para os paraísos fiscais ou que abocanham bilhões de subsídios públicos.Entre os homenageados, a senadora ruralista Ana Amélia, do PP – que nada falou sobre o trabalho escravo no campo brasileiro – e o senador Pedro Simon, do PMDB gaúcho. Este aproveitou para elogiar a convocação da “marcha contra a corrupção”. “Esta é a primeira vez em que atos são convocados no país, através das redes sociais e, pelo resultado verificado nos países árabes, estamos esperançosos”.O senador, que gosta de se apresentar como um ético franciscano, só não explicou porque nunca apoiou os protestos contra as maracutaias descaradas da ex-governadora Yeda Crusius, a quem deu apoio até a última hora. Como se observa, a “marcha contra a corrupção” no 7 de setembro tenta se aproveitar de um mote aparentemente justo, o da ética na política, com interesses mais sujos do que pau de galinheiro.